De Direita
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Friday, October 29, 2004
Ainda o senhor Buttiglione
No meio de toda esta discussão sobre o caso Buttiglione, alguém verdadeiramente ouviu/leu as ideias do senhor para a área em causa? Alguém ouviu/leu as ideias da Comissão para a área em causa? As pessoas que argumentam que o problema do senhor Buttiglione foi ter falado não estão em teoria a argumentar contra a liberdade de expressão? E contra a transparência devida em Democracia? O senhor Buttiglione fez muito bem em ter dito o que disse e da forma como o disse. Acontece que, a confiar nas suas declarações, o senhor Buttiglione acredita tanto que a homosexualidade é um pecado como no facto de o Estado não se dever imiscuir nessas matérias. Aparentemente as pessoas ficam chocadas com a primeira parte do seu pensamento e ignoram a segunda, o que de facto mostra que para muita gente o senhor Buttiglione é culpado de "delito de opinião". Mas mesmo que se duvide da consistência, veracidade ou compatibilidade entre os dois argumentos do senhor Buttiglione, a verdade é que existe toda uma estrutura da UE que não pode depender de leviandades. Posso ter na minha casa uma lâmpada ou uma porta que não funcionam muito bem, mas se mexer nelas agora implica por em causa os alicerces... como diria a senhora eurodeputada socialista Ana Gomes... "Ó pá"... se calhar vamos ignorar a lâmpada e a porta.
OOOppsssss
Parece que a EMEL vai passar a denominar-se de Empresa Municipal de Esquecimento de Lisboa. Diga-se de passagem, nunca gostei muito dos verdinhos.
Privatização dos Notários já!
Conversa com o gestor de balcão (entre o Calhariz e o Bairro Alto): Eu: Gostaria de marcar a escritura o mais rapidamente possível. Vocês trabalham bem com os notários aqui da zona? Gestor: Os notários demoram sempre muito a agendar as escrituras. Mas quando o cliente tem urgência nós costumamos fazer-lhes um gosto e eles vêm ao nosso encontro. Eu: Gosto? Refere-se a uma taxa por debaixo da mesa? Gestor: (sorriso complacente) Sim, mas por conta do banco. Eu: São as maleficências da estatização. Tomara que os privatizem todos e não lhes dêem sequer exclusividade territorial, como têm as farmácias. Gestor: Concordo, se isso acontecer, serão eles que virão cá apresentar-se para ganhar clientes e ganharão os que melhores serviços prestarem. Acaba-se esta epopeia de andar atrás dos notários. Saio do banco a pensar que a função pública só emperra o país e enriquece os burocratas. Wednesday, October 27, 2004
Do Chanceler Schroeder, que lidera o país que mais contribui para a União Europeia:
«Penso que um comissário tem também direito a ter uma opinião pessoal». «Não precisamos de um conflito de instituições. Precisamos de uma comissão forte e capaz de trabalhar» " esperando que este atraso não dure demasiado tempo, de modo a que as instituições europeias «possam trabalhar»" Gerhard Schroeder (TSF) Daquilo que se conhece publicamente da vida pessoal do senhor Schoeder, é provável que o senhor Buttiglione a considerasse vastamente imoral e pecaminosa. Como se vê, o senhor Schoeder está mesmo preocupado com isso...
A tolerânica de grande parte da esquerda é um recurso de estilo
Ajuda-a a sentir-se moral e democraticamente superior, e o auto-convencimento é tal, e está de tal forma entranhado, que não há prática concreta que a convença do contrário. Um senhor Buttiglione foi indicado pelo Governo Italiano, aceite pelo Presidente indigitado da Comissão e elogiado pelo anterior Comissário Socialista e responsável pela pasta que o senhor Buttiglione deveria agora assumir. O senhor Buttiglione parece acreditar que a homosexualidade é um pecado, algo que é passível de defesa do ponto de vista do catolicismo, como aqui uma vez citamos numa discussão no ChicagoBoyz: «The teaching that homosexuality is a sin is embedded in Christianity. It is in the Pauline letters. There is no getting around it. I have heard the counter-arguments, and they don't cut any ice. The Christian teaching against homosexuality is organic, it was part and parcel of the attack on the pagan society of the Roman Empire and it is fundamental to the Christian conception of marriage and sexuality» Seja. Até pode não ser, o ponto nem é especialmente relevante. Relevante, para mim, é isto: «Many things may be considered immoral which should not be prohibited ... I may think that homosexuality is a sin, this has no effect on politics unless I say that homosexuality is a crime. The state has no right to stick its nose into these things and nobody can be discriminated against on the basis of sexual orientation... this stands in the Charter of Human Rights, this stands in the Constitution and I have pledged to defend this constitution.» (Declarações de Buttiglione em audição na Comissão de Liberdades Civis no Parlamento Europeu, em que seria "chumbado" por um tangencial 27 - 26 na votação.) Reuteurs Temos este senhor Buttiglione que tem a concepção religiosa que tem, e que por sua vez entende que o Estado deve estar longe destes campos de escolha pessoal. Aparentemente é uma postura muito tolerante: Eu tenho as minhas convicções, você tem as suas e o Estado tem melhores coisas para fazer. Fair enough para mim. Importante é perceber se o programa da Comissão talks the talk e walks the walk. Importante é perceber que efectivamente o senhor Buttiglione segue à risca as suas palavras. Ele já disse que sim, a Comissão terá um programa que o senhor Buttiglione deverá implementar, e terá como companheiros e "fiscalizadores" o Presidente e restante Comissão, para além do Parlamento Europeu e dos próprios Estados Membros. Aliás, os próprios eurodeputados poderiam a qualquer momento não votar os documentos do Comissário ou até propor uma moção de censura. Nada disto parece importar à indignação profissional e irresponsável de muitos eurodeputados. O problema é que o senhor Buttiglione pensa que a homosexualidade é um pecado. Ele pensa que é um pecado, e isso é "pecado" capital no politicamente correcto de grande parte da Esquerda. Pecado por pecado eu fico com o do senhor Buttiglione, que tem o bom senso de o manter na sua intimidade. E a forma como os eurodeputados são capazes de bloquear toda uma Comissão por um facto como este, diz bem do nível de distanciamento que a cultura partidária tem face às necessidades concretas dos seus cidadãos que levianamente prometeram representar e defender. Tuesday, October 26, 2004
E para os jornalistas-comentadores não?
«Tomem um duche de água fria, acalmem-se(..)» Recomendação do director de "O Público", José Manuel Fernandes, ao Governo Monday, October 25, 2004
Desinteresse
Total pela maioria da agenda política dos media e dos jornalistas-colunistas-profissionais. Em 2002 António Guterres desiste a meio de um mandato deixando o país com uma recessão em frente e com um desequilíbrio de contas do Estado que encheu as páginas do mundo económico mundial. Em 2004 José Manuel Durão Barroso sai para a presidência da Comissão deixando o problema de desequilíbrio das contas públicos estancado (mas não estruturalmente resolvido) e com o país de novo em (moderado) crescimento económico. Em 2004 Pedro Santana Lopes é nomeado Presidente do PPD-PSD e Primeiro Ministro com a missão de continuar a implementação do Programa de Governo votado pelo anterior Governo. Três Primeiros Ministros em sensivelmente 2 anos. E ainda há quem se entretenha nos nossos jornalistas-colunistas-profissionais a desejar que o Presidente Sampaio faça hoje o que não fez aquando da partida de Durão Barroso para Bruxelas: Seriam potencialmente 4 Primeiros Ministros em sensivelmente 2 anos. E esta gente quer ser tomada a sério. Esta gente que diabolizou Durão Barroso e Manuela Ferreira Leite, para de imediato os sacralizar. Que tanto criticou a sua política para de imediato a adoptar no argumentário quando crê conveniente. Que escreve baseada em emoções indexadas a ciclos noticiosos de 24/24h ou ao estado emocional após mais um jantar no Pabe. Pessoalmente, continuo a trabalhar. E gostava que a política não me criasse mais problemas do que aqueles que tenho para resolver. E que os senhores da histeria escrevessem os editoriais não à saída do Pabe, mas pela manhã do dia seguinte - o travesseiro é bom conselheiro e ver um país a acordar e a começar a trabalhar é uma visão mais esclarecedora da realidade do que os 360º vistos do centro do Pabe às 00:00h. Não acredito na segunda vinda de Cristo ao mundo em versão Primeiro Ministro. Um Governo é um conjunto de homens, do seu programa e da forma como serão ou não capazes de o implementar. A continuação da aplicação do "choque fiscal" ao longo da legislatura, as mexidas na estrutura da Segurança Social e da Saúde, a continuação do cumprimento do PEC e da descida do défice estrutural, a nova lei do arrendamento e outras medidas equivalentes são para mim suficientes. Desculpem, mas não é falta de ambição, é pragmatismo sobre o possível e a (também possível) certeza de que eleições a cada 6 meses nada resolvem. E enquanto um Governo fizer isto, vai-me ser completamente irrelevante se nomeia para cargos o politicamente de Direita Luís Delgado ou o político socialista João Carlos Silva, ou se a Directora do DN é a Clara Ferreira Alves ou o politicamente de Esquerda Mário Bettencourt Resendes. Em 2006 haverá eleições. Até lá há espaço para quem queria ser alternativa começar a construi-la. Até lá não me criem mais problemas do que aqueles que já tenho.
E em Outubro de 2004 também
«We are surprised by how well this rather difficult vintage has kept in bottle. The finesse is there, the palate is a little dry but still fresh. To be enjoyed now. (September 2002)» (Review da Château Margaux sobre o seu vinho Pavillon Rouge de 1984) Dublin Connection, take note, sobrou uma garrafa, portanto é bom que te despaches a marcar mais um voo até Lisboa. Friday, October 22, 2004
Fidel não caiu.
Fidel tombou há muito tempo. Vai permanecer no púlpito até velho senil, tal qual Papa esquerdista da América Latina, ao invés de aprontar, com a devida prudência, a sua alternância democrática. Ele é a prova viva de que a revolução, que tanto apregoa, nunca existiu verdadeiramente.
Dispenso
A revista Sábado envia um e-mail publicitário a antever a capa que diz: «Mistérios do Orgasmo». Logo abaixo explicita: «Entrevista com Carlos Cruz». Obrigado, mas passo. Thursday, October 21, 2004
Século: XXI.
Partido: PCP Vota-se de braço no ar graças à teoria do partido com paredes de vidro, da qual Cunhal era um dos maiores preceptores. Onde está a liberdade de voto de um representante numa assembleia se o sentido do seu voto não é reservado? Se vai contra quem tem o poder? O que provoca a mudança do próprio poder, a alternância democrática? Quem garante que o comité central não o excluirá em projectos futuros. O que impede o seu saneamento? Em pleno século XXI, existe um partido que ainda não compreendeu o que é a democracia e rejeita implementa-la no seu próprio seio. Carlos Carvalhas afirma que vai procurar a revogação da lei por defender que se trata de uma ingerência na vida e decisões internas do partido. Ou seja, lá fora democracia, cá dentro deixem-nos ter a pequenina ditadura do nosso comité central. Enquanto a direcção do PCP continuar a alinhar na sombra de Cunhal, o partido caminhará lentamente para a asfixiante agonia do seu eleitorado. É triste que haja um partido português com uma expressão cada vez mais murcha nos escrutínios populares que não entendeu ainda a necessidade de renovação. Que procede a saneamentos de militantes históricos por «ousarem» levantar o braço em direcção contrária ou expressar livremente a sua opinião. Num mundo plural e livre, a ortodoxia extrema só resiste camuflada, metida num buraco, como eremita isolado da sociedade. É esse o destino do PC se continuar nessa senda. Um cego a caminho do precipício, como Kurusowa filmou em Ran - Os Senhores da Guerra. E bater mais no ceguinho não vou. Jerónimooooooooooooooo!!! ....de Sousa entenda-se.
Low blogging this week
Se fosse um blogger profissional, este blogue não sofreria variações no volume e distribuição temporal dos posts. Se fosse um blogger que escrevesse sobre a minha profissão, este blogue seria actualizado mais frequentemente, pois há sempre tema, algo a dizer, e a escrita flui com outra rapidez. Não acontecendo nenhum dos casos, este blogue sujeita-se a períodos de menor publicação. É o caso. Tuesday, October 19, 2004
Re: Serviços públicos e mercado
Este blogue defende: (julgo eu) 1. Acesso à escolaridade obrigatória gratuita para os mais pobres. 2. Acesso a cuidados de saúde gratuitos para os mais pobres. 3. Acesso a informação fundamental gratuita para os mais pobres. Este blogue é de direita. Este blogue não confunde serviços e/ou bens com os seus fornecedores. Os membros deste blogue possuem telefones, sem nenhum deles ser/ter uma empresa de telecomunicações. Uma comunidade de cidadãos ou um Estado deve a todo o momento estudar qual a forma mais eficiente de levar até aos seus cidadãos os serviços que deseja. A forma de propriedade do fornecedor é uma questão que em muita situações poderá ser completamente irrelevante. Um Estado pode contratualizar e ganhar em qualidade e custo a entrega de serviços aos seus cidadãos sem se tornar ele próprio um fornecedor directo, mas antes um agente catalizador que, gerindo opções, maximiza a eficiência no alcance dos objectivos propostos, seja saúde, educação ou outros. É por isso que uma coisa é defender saúde gratuita para os mais pobres, e outra muito distinta é defender que o Estado seja produtor/industrial/proprietário/etc. de serviços de saúde.
Só se for prática recente
«Os argumentos discutem-se, as pessoas não Ao contrário do que acusa Gabriel Silva no Blasfémias, eu não chamo nomes às pessoas. Posso desqualificar (por vezes indevidamente...) ideias, posições e argumentos, mas não desconsidero os autores.» O Sr. Vital Moreira (PCP): - Mesquinho! O Sr. Vital Moreira (PCP): - Que vergonha, que miserável! O Sr. Vital Moreira (PCP): - (...) Cada um tem os patrões que tem e o Sr. Deputado António Maria Pereira é um bom e fiel servidor. O Sr. Vital Moreira (PCP): - (...) O senhor mamou nas tetas do fascismo, e agora mama nas tetas do imperialismo! O Sr. Vital Moreira (PCP): - Que grande insulto chamarem-lhe fascista!.. O Sr. Vital Moreira (PCP): - Miserável! O Sr. Vital Moreira (PCP): - Miserável Provocador! (Assembleia da República, Diário das Sessões de 29/3/1980) «(...) desencadearam, por parte da bancada do PCP, um clamor de insultos contra mim, numa desesperada tentativa para me obrigar a calar. "Fascista", "racista", "miserável", "vai ter com os teus patrões", etc. foram alguns dos impropérios com que Vital Moreira e os seus comparsas totalitários me mimosearam no hemiciclo. (...) De novo a bancada comunista, sob a batuta de Vital Moreira, se ergeu aos berros e insultos (...) Cristo ensinou que quando se é esbofeteado num lado da face, se deve oferecer a outra face (...) Só que Cristo nunca foi deputado em 1980, em Portugal, e nunca teve por isso o inefável privilégio de estar no Parlamento enfrentando os insultos de Vital Moreira e do seu grupo de totalitários. (...)» (António Maria Pereira, O Pensamento de Sá Carneiro em Política Externa, 1981) Na semana passada: «Perante a patente superioridade do candidato democrata, os eleitores norte-americanos serão estúpidos? (O Sr. Vital Moreira no blogue "Causa Nossa") Friday, October 15, 2004
Critérios e Funções
Um dia vou tentar parar e pensar, e talvez aí perceber o que é realmente importante. A esmagadora maioria dos titulares de jornais que li a caminho da organização dizem explicitamente que no debate de ontem na Assembleia da República o Governo conseguiu desviar as atenções, não debater os temas incómodos, fingir que o "Caso Marcelo" não existe, etc. , etc. Este tipo de histeria monopolizadora dos espaços de debate, comunicação e informação são bem o reflexo de algumas razões do nosso atraso. O dito caso aconteceu há quase duas semanas. Todos os intervenientes falaram, menos Marcelo, que no entanto foi prontamente ouvido pelo Presidente Sampaio. O Parlamento vai ouvir o presidente da Media Capital. As pessoas são livres de discutir o que lhes apetecer, e imagino que o caso seja ainda mais relevante para os jornalistas por razões da sua profissão, mas o Governo e a Assembleia da República não são o Clube de Jornalistas, programa onde no mesmo dia, na televisão pública, se continuou a discutir todo o caso. Olhando para os vários espaços de informação no país, existe excesso de especulação sobre o caso Marcelo e repetição até à exaustão dos factos reconhecidos por todos como válidos. Já sobre a Lei do Arrendamento ou as SCUT's, pela minha parte noto claro défice de informação sobre estes assuntos cuja importância é tão decisiva para o bem estar das famílias. Sobretudo quando medido em termos relativos face ao tratamento do "caso Marcelo". Alguém já leu algo de parecido na imprensa com este post do António? A Lei do Arrendamento influencia o mercado de habitação, a oferta, procura e mecanismos de mercado. A decião de comprar ou arrendar influencia a economia bancária, os nossos padrões de consumo. Para muita gente o dinheiro gasto na compra ou arrendamento de casa influi na qualidade de educação que pode dar a si própria e aos filhos, nas contas que se fazem no final do mês para comprar mais um aquecedor ou fazer obras na janela que tem infiltrações. Influencia o rendimento disponível para a saúde familiar ou tantos outros exemplos. Não pretendo anular o "caso Marcelo", apenas critico a desproporção de tratamento informativo e de noção equilibrada das prioridades. Depois de quase 2 semanas em que praticamente não se falou de mais nada, até parece que estou a pedir um favor para acrescentar outros temas ao debate público e parlamentar. E quanto à leitura jornalística sobre o debate de ontem, o Governo não fugiu a temas incómodos. A Lei do Arrendamento ou as SCUT's são áreas onde há opções claramente distintas, até ideológicas, e muita margem para argumentação. Se não houve debate foi porque a oposição não contestou de forma clara ou apresentou propostas alternativas. O Governo está lá para cumprir o Programa, e não para se adaptar a uma agenda mediática duvidosa nem aos temas que a Oposição julga serem mais ou menos relevantes ou eleitoralmente proveitosos. PS: Este editorial do Diário Económico será porventura uma excepção. Thursday, October 14, 2004
Debates
Quando se tem experiência de recrutamento em áreas como a financeira ou as engenharias, há muito tempo que se aprendeu a separar qualidade de gestão com capacidade de comunicação. Nestas áreas é especialmente gritante, mas é válido para todas e é um 2+2 que os trainees em Executive Search ou aprendem ou não vão a lado nenhum. Ficam estúpidos para o resto da vida. Wednesday, October 13, 2004
A capa do Público de hoje:
Governo Recorre a Artifício para Compor Orçamento da Ciência a capa do Público de ontem: Santana Lopes Anuncia Baixa de Impostos e Tenta Desviar "Ruído" do Caso Marcelo Não deverão faltar jornalistas que gostariam de entrevistar Bagão Félix para ver se conseguem extrair algo de contraditório que possa dizer em relação ao discurso de Pedro Santana Lopes sobre o IRS e afins do orçamento. Este tipo de jornalismo a saque, de terrorismo informativo, é digno de quem tem agenda política muito própria e não de um órgão de informação que se diz idóneo e imparcial. Um amigo nosso escrevia-me, justamente a propósito de temas deste género, um e-mail engraçado sobre a Al Jazeera: Assunto: there is no pachorra. Às vezes vou ao site da Al Jazeera, ora para me rir um bocadinho, ora para animar o meu dia com alguma indignação. Hoje foi misto. A indignação foi com os artigos de opinião, nomeadamente o de uma "feminista" e os direitos das mulheres nos países árabes. Depois, felizmente, tive a parte onde me pude rir um bocadinho, quando fui ver o "Code of Ethics" da estação. Excertos: 1. Adhere to the journalistic values of honesty, courage, fairness, balance, independence, credibility and diversity, giving no priority to commercial or political considerations over professional ones. 3. Treat our audiences with due respect and address every issue or story with due attention to present a clear, factual and accurate picture while giving full consideration to the feelings of victims of crime, war, persecution and disaster, their relatives and our viewers, and to individual privacy and public decorum. 9. Distinguish between news material, opinion and analysis to avoid the pitfalls of speculation and propaganda. Qualquer semelhança com o Público é pura realidade Como é possível que muitos acusem de oportunismo político e populismo o discurso que anuncia a descida do IRS quando tal facto já estava previsto pelo anterior governo há mais de 2 anos? Alguém conhece, neste país submergido pelo sector público estatal, um governo que tenha sobrevivido ao escrutínio popular tendo decretado 4 anos seguidos de congelamento dos salários da função pública? Menos cinismo precisa-se por favor.
Só para relembrar
A cenarização da maioria da "opinião publicada" sobre as recentes intenções de mudanças fiscais é mais ou menos esta: Se aumenta os impostos o país não cresce e diverge da UE, se os desce é perigoso e demagógico, se não mexe neles é o imobilismo e o não cumprimento do Programa de Governo. «Aumento do IVA agrava défice das contas públicas» Francisco Louça, TSF, Fevereiro de 2002 «Lemos o programa do zero e encontramos zero. Não está absolutamente nada sobre essa matéria e é uma promessa que diz respeito a milhões de portugueses. Posso até admitir que é normal que muitos e muitos eleitores tenham votado no PSD por causa dessa promessa. O que fizeram a essa promessa? » Ferro Rodrigues na Assembleia da República, 17 de Abril de 2002 Programa de Governo do PPD-PSD: "As principais medidas que concretizarão as orientações anteriores em sede de IRS e IRC serão as seguintes: - Actualização e reestruturação do número de escalões do IRS, com vista a reduzir progressivamente a carga fiscal sobre os contribuintes cumpridores das obrigações fiscais e, em especial, sobre os trabalhadores por conta de outrém. Pretende-se, assim, que uma parte substancial dos ganhos em eficiência na despesa sejam reflectidos em benefício dos contribuintes cumpridores. Um dos ajustamentos será a descida da taxa do escalão mais elevado do IRS em 5 pontos percentuais (de 40% para 35%), em conjunto com o reforço da administração fiscal, e com o objectivo de desincentivar a evasão fiscal dos contribuintes da classe média; (...) - (...) redução e estabilização dos benefícios fiscais; (...) - Pela eliminação de benefícios fiscais injustificados; Artigo de Miguel Frasquilho: «(...)choque fiscal apresentado na campanha para as eleições legislativas de Março de 2002, que não se esgota na descida das taxas de IRC (sobretudo) e do IRS, pressupondo igualmente uma simplificação da legislação fiscal e uma redução significativa das isenções, excepções e deduções que hoje tanto dificultam a percepção do contribuinte e dificultam o combate à fraude e evasão fiscais.» O Primeiro Ministro Durão Barroso e a Ministra de Estado e das Finanças Manuela Ferreira Leite deixaram à data bem claro que a aplicação do choque fiscal não poderia ser realizada da forma prometida devido à situação encontrada nas finanças públicas. A estratégia seria manter o objectivo e aplicar os cortes ao longo da legislatura. Era também claro que sendo Portugal o único país à data em incumprimento do PEC, apenas voltando à margem dos 3% de défice conseguiriamos que Bruxelas "autorizasse" descidas de impostos em Portugal. Foi dito e escrito em reuniões do PPD-PSD e na comunicação social que após a primeira descida da taxa de IRC, se existisse margem, a descida seguinte deveria ser em IRS. E pronto, era só para relembrar. É que, em política como na vida, tendo a medir a consistência em termos relativos na hora de tomar decisões. E a consistência da oposição também é para ser avaliada. Tuesday, October 12, 2004
Por alí há mais javali
Sugestão de patrulhamento ideológico. Procurar no parlamento deputados que façam referência a: FP-25 Che Guevara Léon Trotsky José Estaline Vladimir Lenine Fidel Castro Cuba Coreia do Norte (...) É continuar meus amigos, é continuar.
Os bombistas, as bombas e os seus destinatários
Parece que há um blogue de um deputado do PPD-PSD com uma referência mais ou menos explícita à FLAMA - Frente de Libertação da Madeira. Terrível heresia. Se o deputado passar da teoria à prática ainda se arrisca a receber a Ordem da Liberdade. Monday, October 11, 2004
E fizeram muito bem
«(...)Prescott and Kydland have largely ignored the Austrian contribution(...)» Mises Blog
Sobre esta dedicatória do André.
" [Austrian economists] feel they've been frozen out of mainstream economics and seldom get even a footnote in standard textbooks." Todd G. Buchholz, Harvard University Quanto ao restante, I rest my case.
The Bank of Sweden Prize in Economic Sciences in Memory of Alfred Nobel 2004
Finn E. Kydland e Edward C. Prescott. Nobel Link Friday, October 08, 2004
Enquanto se toma um café...
No meio de um dia de trabalho percebe-se que o "país político" (é que depois existe o outro) está em histeria, exaltação e com a patologia conspirativa a níveis máximos. Diz-se sem pingo de provas ou vergonha que o governo chantageou e ameaçou tomar decisões contra grupos privados caso estes não alinhem pelo discurso oficial, ou até que existem comentadores que montam superiores e infalíveis esquemas de alto risco com os mais díspares objectivos. Há teses para todos os gostos. No meio de tudo isto, e com tantas hipóteses avançadas, provavelmente alguém já terá acertado na verdadeira com a mesma ciência com que se acerta no totoloto, ou seja, pomos a cruz nos números que queremos que saiam. Boa sorte, eu prefiro continuar à espera. Entretanto, gostava só de relembrar: 1. Que o regular funcionamento das instituições democráticas é posto em causa se o partido do governo aliciasse um deputado individual de um outro partido da oposição numa votação parlamentar como a do Orçamento. Oferece-lhe dinheiro dos contribuintes através de ajudas a fábricas, estradas, patentes, etc. Não é uma pressão, chama-se suborno, corrupção. 2. Que são bem-vindos aqueles que se preocupam agora com a liberdade de expressão, mas não se importavam quando o alinhamento dos telejornais era feito desde São Bento, em que tudo era monopólio do Estado que designava os seus respectivos comissários políticos para os órgãos de chefia. 3. São também bem-vindos todos aqueles que parecem concluir por várias razões que um Estado simultaneamente jogador e árbitro não dá bons resultados. Agora, com a devida licença, vou continuar a trabalhar, e ao Sr. Presidente da República peço-lhe que contribua para o esclarecimento e não para a dúvida e instabilidade. É que há quem queira continuar a trabalhar. Obrigado. Thursday, October 07, 2004
Re: RIGOROSOS E ESPECIOSOS
Não sei em quem José Pacheco Pereira estava a pensar quando escreveu o texto. Os dois primeiros parágrafos (à excepção da última frase no segundo) podiam muito bem ser aplicados a este texto. Se foram, creio que o José Pacheco Pereira cometeu um erro de excesso, veja-se por exemplo o teor das palavras de Aníbal Cavaco Silva um dia depois, cheias de "se's" , "eventuais" , etc. para terminar com «só o próprio pode esclarecer o que se passou». Pessoalmente não avanço para tomadas de posição fortes sem bases sólidas, sobretudo quando a alegada vítima continua em silêncio. Portugal vive em Democracia, vivemos em Democracia, e as suspeições são preocupantes. Acontece que todos os intervenientes as negam excepto Marcelo Rebelo de Sousa que ainda não transmitiu de forma clara a sua versão. Quando e se a fornecer, faça então o José Pacheco Pereira as considerações que entender sobre as opiniões aqui escritas e a forma como elas são formadas. Até lá garanto-lhe que a atenção que dei a este caso é já, por si só, uma excepção. Em democracia, um homem com as capacidades intelectuais e recursos de Marcelo Rebelo de Sousa, tem todas as condições para falar alto e ser ouvido. Peço imensa desculpa, mas não vou inventar um argumento e falar por ele.
Que o Miguel Pais de Amarais tenha tido uma reunião com o ministro adjunto na TVI ou que tenha recebido telefonemas do governo é uma questão neutra.
Se Miguel Pais do Amaral foi sensível a pressões para colocar Marcelo Rebelo de Sousa em directo, na altura em que a desorganização do PSD não conseguia construir oposição ao PS no governo, também agora seria de admitir o contrário. Quem dá também pode tirar. Os media sofrem pressões político-económicas todos os dias. Funciona assim com todos os partidos. Jornais e televisões de esquerda ou direita. Empresas de conteúdos, rádios jornais da região. Não há nada de novo aqui. Os jornalistas criticam mas pressionam com o mesmo à vontade o poder em sentido inverso. Se Marcelo saiu por imposição do accionista é porque este decidiu que o seu interesse pessoal e do grupo que detém beneficiaria mais com isso. Se Marcelo resolve não tecer comentários é porque corrobora e assina por baixo. Se se sente malogrado com uma instituição com a qual colaborava há mais de 4 anos é melhor começar a tentar perceber porque razão foi lá colocado em primeira instância. Todas as missões têm um prazo e ele percebeu que esta perdeu a validade. Eduardo Moniz não tem aqui nada a dizer. Trabalha para um accionista. Executa e cala-se. É para isso que lhe pagam um ordenado chorudo.
Marcelo Rebelo de Sousa saiu da TVI porque quis.
Não é pressionando a TVI que se cala Marcelo. As audiências que ganhou dar-lhe-iam a possibilidade de estar na SIC, na RTP, na Antena 1, na TSF, no Expresso. Onde ele bem quisesse e entendesse. Não lhe raptaram o cão e o gato, nem ameaçaram incendiar-lhe a casa. Marcelo é membro do Partido Social Democrata e serve aquele partido da forma que melhor sabe. A oposição discorda, naturalmente, pois perde uma voz dissonante com a actual liderança do partido no poder. Mas daí até ganhar a teoria das suspeitas e cabalas vai um passo de gigante. Se Marcelo Rebelo de Sousa achou que a suas energias deveriam ser entregues noutras coisas, ou que os seus pontos de vista deveriam ser afirmados de outra maneira, a responsabilidade é sua. Afinal, tudo tem um prazo limite e o seu ingresso na TVI teve por cenário político um contexto cabalmente distinto do actual. É curioso como esta circunstância perfeitamente trivial capta mais atenções que a destituição de Carlos Carvalhas da liderança do PCP.
Não foi bem assim
O meu ponto principal é este: Em Portugal a indignação com o património é selectiva e tardia. O grupo dos indignados passou durante décadas à frente do dito Convento enquanto este caia aos bocados sem particular incómodo. Quando o desgaste e a ruína atingem um ponto insustentável, e surge alguém com uma solução, lá surge o grupo dos indignados, que dormiria descansado com mais umas décadas de ruína desde que ninguém mexesse no amontoado outrora Convento. Citas-me de forma duplamente errada quando escreves: «Pretendes que a defesa do Convento dos Inglesinhos seja um capricho de ?designers, artistas, arquitectos e malta fashion, que quer viver no Bairro Alto?» Por um lado nego veementemente alguma vez ter utilizado a palavra "malta" para referir algo que não seja esta ilha. Por outro, a minha longa lista que incluia "designers, artistas, arquitectos, cineastas, publicitários, actores, produtores, etc." servia a descrição de um potencial público para um condomínio de luxo situado no Bairro Alto. Sendo uma generalização, ela referia-se ao grupo-alvo cliente do empreendimento Amorim, e não ao "grupo dos indignados". Por último: Eu não moro no Bairro Alto, o amontoado outrora Convento não tem para mim valor patrimonial que mereça o esforço de dinheiro dos contribuintes. Seria muito interessante ouvir-te argumentar em que é que o amontoado outrora Convento do Bairro Alto difere de outros amontoados outrora Conventos país fora. Ou porque é que ele é prioritário na canalização de fundos públicos face a outras ruínas onde efectivamente moram pessoas. Tem valor para os habitantes do Bairro Alto? Desde quando, e se sim porque a ruína? Ontem jantava no Bairro Alto com um morador, parceiro aqui do DeDireita, que está muito contente com o novo condomínio projectado. Aliás, tanto quanto sei a demolição já se iniciou. Eu não confio cegamente em instituições como o IPPAR ou a Câmara Municipal de Lisboa. Mas nos dois casos foi autorizada a demolição. E nem a Santa Casa da Misericórdia, anterior proprietária, teve problemas em vender para um condomínio. Sem misericórdia nem problemas de santidade. Venha o condomínio, as pessoas e que sejam felizes. Wednesday, October 06, 2004
Esperar para ver
Nunca é muito boa ideia escrever a quente sobre assuntos em que aparentemente discordamos quando há pouca ou nenhuma informação disponível. A indignação ou a revolta devem ter bases sólidas, e não percepções superficiais, sob pena de cairmos em comportamentos histéricos, em que mais tarde alguém nos traz um leque e um copo com água, e explica que afinal o que aconteceu foi A e B. À partida, a recente notícia que relata o cessar de funções de Marcelo Rebelo de Sousa na TVI não augura nada de bom. Vamos ver. Não sabemos se foi sugerida uma alteração de modelo de modo a incorporar "o exercício do contraditório", ou outra qualquer sugestão não aceite por MRS. Penso que seria interessante que todos falassem. O PPD-PSD, pela voz de Miguel Relvas veio hoje: «lamentar que o programa [de Marcelo Rebelo de Sousa, na TVI] tenha terminado» Dizer que «nós somente falámos em defesa do pluralismo» Lembrar que «TVI é uma empresa privada (...) Acredita que a TVI é pressionada?» Recordar que iam «pedir à Alta Autoridade para a Comunicação Social para que exerça as suas competências» E legitimar que o «PSD quer apenas ter o direito de defender os seus pontos de vista» Agora é necessário que a TVI e Marcelo Rebelo de Sousa contem abertamente a sua versão. Também aqui julgamos que o execício do contraditório só ajuda à qualidade do ar que respiramos. A especulação nem por isso.
Sábado de manhã.
A intensidade dos raios solares abrilhanta demasiado cedo o quarto para a hora noctívaga a que termina a noite anterior. Duas torradas. Encher de ar os pneus da bicicleta e de água a garrafa e partir. Vem da falésia uma brisa fresca que acaricia a pele suada. Vislumbra-se a imensidão do mar. O cheiro da caruma quente entre os pinheiros bravos penetra com veemência nas raízes do olfacto e as copas verdejantes estendem-se sobre o olhar a perder de vista. A Arrábida no horizonte teima em afirmar que está lá, por mais que a queiramos ocultar. A sua imponência é incontestável em toda a península. Nenhum vestígio de civilização para além de do barco distante que parece parado no horizonte longínquo e inalcançável. O chilrear de uma gaivota perdida. Chegar a casa. Mergulhar na piscina. Estender o corpo dorido ao sol quente do meio-dia e dormitar levemente enquanto o aroma suculento do grelhador desperta suavemente o apetite e anuncia o almoço. Almoço. Jornais. O bastonário da Ordem dos Advogados defende que as sociedades de advogados deveriam poder optar por serem sujeitas de IRC. Já não basta a média de rendimentos declarada pelos advogados à DGCI? Querem dispor de mais instrumentos criativos de contabilidade organizada? Televisão. Em pleno debate a meio da tarde, João Soares discutia com demais comentadores políticos os senãos do estado da nação... Porquê a televisão? É um gesto do qual francamente me arrependo. Pressionei o off determinado a que ninguém me arruinasse o edílico sábado. É algo do qual posso abdicar muito bem ao fim de semana. Férias da verborreia nacional precisam-se.
Re: Réplica
IVA: Two million dollar questions: 1. «se em vez de subir o IVA tivessem descido o mesmo IVA em 1%, estimulando o consumo, será que a receita fiscal não seria superior a verificada com o aumento de 2%?» 2. «Ou se tivessem mantido o IVA, e subido por exemplo o Imposto sobre Produtos Petrolíferos, fazendo recair esse aumento no diferencial com os preços internacionais, não teria sido bem mais eficiente?» Não sei. Na hipótese 1 seria preciso fazer uma comparação sobre a natureza da queda da receita, eventualmente por sectores económicos e estudar ponto a ponto as variações para consolidar num agregado final e chegar a uma conclusão. Sectores como o da construção pública ou privada teriam forçosamente queda de receita de IVA, fosse a 17 ou a 19, fosse por incapacidade de continuar a comprar habitação ao ritmo anterior fosse por decisão política de redução de "investimento em betão". O mesmo para o outros sectores como o automóvel, bens de consumo tecnológico ou turismo. Mesmo assim, numa economia com agentes tão endividados como a nossa, a lógica seria a de que os agentes pagassem as suas dívidas à banca. Logo da redução de 1% em IVA não é líquido que resultasse em aumento de consumo, não é? Poderia ser pagamento de dívidas, poupança, investimento (probabilidade decrescente por esta ordem). O drama maior é que quando a decisão foi tomada, Portugal era o único país da UE a não cumprir o PEC, a espada da Comissão estava sobre nós e dificilmente acredito que nessa posição Portugal conseguisse convencer Bruxelas a aceitar não aplicar sanções se a política a seguir fosse a descida de impostos. A hipótese 2 funciona na mesma lógica do aumento do IVA, sendo que a discussão aqui seria qual a forma mais eficiente dentro do mesmo modelo de aumento de imposto. Não sei. À partida incide sobre um conjunto mais pequeno de bens, mas o custo é depois incorporado transversalmente. Seria preciso fazer as contas, e eu confesso que não as vi. Túnel: 100% de acordo no caso do Túnel do Marquês. O meu ponto é que o facto torna o decisor público mau em termos absolutos (errou) mas não necessariamente em termos relativos (ilegalidades processuais, e não só, em construções públicas ou decididas pelo decisor público país fora). Função Pública: Vou tentar arranjar tempo para escrever sobre ela, e em força. Até lá 100% de acordo com o que escreveste. Monday, October 04, 2004
Pontes Aéreas, Ferroviárias e Viadutos de Auto-Estrada
Foram o destino de uma parte do DeDireita e dos velhos amigos que este Domingo se reuniram enquanto um de nós dava o seu sim Conversas pessoais à parte, no final conversávamos um pouco sobre o aspecto profissional. O maior projecto do mundo na área X, o mega investimento no país Y, a ponderação sobre a abertura de uma filial nos países A e B. Recrutamentos, despedimentos, metodologias, modelos de trabalho, etc., etc. Uma pequena amostra da economia global numa pequena mesa num solar medieval português. No final, já tarde, cada um de nós preparava a partida. Os voos para Londres, Frankfurt, Dublin... o Alfa das 06:15, os km de autoestrada pela madrugada. Cada um contabilizva as poucas ou nenhumas horas de sono antes de recomeçar a trabalhar. Os mais afortunados dormiriam umas horitas, os menos saltam do aeroporto directamente para as organizações (e um para um pub). Felizmente temos em Portugal quem esteja muito muito à frente desta realidade. A dimensão e natureza do avanço é tal que lançam dias fora. Assim, sem mais, oferecidos. Tomem lá. Os pobres, iletrados, subeducados, subpagos, terceiro mundistas, esses viajam noite fora e mergulham na suas atrasadas organizações logo pela manhã de Segunda. É o custo de encaixe das opções pessoais com as profissionais. Quatro dias de férias seria muito bom, mas a natureza do atraso não o permite. Permite apenas o sonho de um dia estas organizações estarem tão destacadas de tudo e todos, que permitem adiar-se mais um dia. Infelizmente a realidade é cruel e não o permite. Se calhar qualquer dia chegamos lá. Até lá, pontes só mesmo as do título deste post. Friday, October 01, 2004
António,
Três pontos: 1. IVA. Se via imposto o preço dos bens aumenta 2%, vai existir influência no consumo segundo as elasticidades. Tudo bem. Acontece que a retração de consumo também acontece durante recessões, ou seja, só podemos comparar a receita de IVA se soubessemos qual o valor do consumo se a taxa se mantivesse a 17%. Nesta recessão, com taxa de IVA constante, o consumo sofreria retração, logo a receita de IVA também. É plausível, em teoria, argumentar que a subida para 19% minimizou a queda da receita via bens cuja elasticidade permite ganhos de receita fiscal. Se foi o caso, ou o que aconteceu foi o que argumentas, são precisos alguns estudos e números que eu ainda não vi. 2. Túnel do Marquês. Triste retrato do país que temos, mas a diferença entre este túnel e inúmeras outras situações país fora reside em que houve um advogado que decidiu colocar isto em tribunal. 3. Funcionários públicos. 100% de acordo. Mas e a solução é?
You be nice while I'm gone (forever)
Discordo até ao tutano do tipo de estratégias citadas aqui. Se tivesse tempo disponível gostava de utilizar um modelo baseado na Teoria dos Jogos para expôr o que penso serem as consequências deste tipo de argumentação. Mas só para problematizar: 1. Desde quando é que assassinos-lunáticos-terroristas são agentes fiáveis? 2. Se aceitamos que eles se sentem à mesa, não estamos a legitimar / remunerar: a) O seu objectivo b) O seu método de assassinato 3. Ao validar 1 e 2, não estamos a construir incentivos para que formas similares de assassinato sejam adoptadas? 4. Que garantias existem que quem lunaticamente corta à facada gargantas a civis, não rasgue qualquer tipo de acordo após o desaparecimento dos incentivos negativos (leia-se tropas) ? 5. Na ausência de incentivos do ponto 4, que acções incidem sobre os lunáticos se estes fizerem ao acordo o mesmo que fazem às gargantas dos indefesos? Uma "poderosa" resolução das Nações Unidas? Daquela organização que eles fizeram explodir na capital do Iraque? 6. Dentro do cenário mais provável - guerra civil - que consequências adviriam sobre: a) A unidade política/geográfica do Iraque b) As opções dos países do Médio Oriente c) A segurança mundial d) A economia mundial E muitas mais questões se poderiam colocar. Pena que eu não tenha tempo para o fazer e ainda menos para desenvolver com cuidado respostas. Fica pelo menos expressa a discordância. |
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