De Direita
|
|
|
Thursday, September 30, 2004
Com amigos destes...
(Cartoon no Le Monde) ... George Bush nem precisa de fazer campanha. Este tipo de apoiantes (dos quais Kerry não se demarca) fazem o trabalhinho todo. (Via No Pasarán) Wednesday, September 29, 2004
Munições
O Adam Smith Institute disponibiliza para consulta online o livro de Madsen Pirie, The Book of the Fallacy. O Fallacy Files descreve-o assim: «This book is the closest thing to an encyclopedia of logical fallacies to have been published, and it is a shame that it has gone out of print.» O livro é também um interessante recurso argumentativo, ora vão lá espreitar. (Via Samizdata) PS: Não se esqueçam, logo na letra "A" das Logical Fallacies, de consultar Apriorism Monday, September 27, 2004
Sendo que o que está na moda em Portugal é roubar o Estado, as profissões que desfilam entre as mais apetecíveis nas passerelles do nosso desgraçado sistema fiscal, nos últimos anos, são as de empresário liberal.
Senão vejamos: Médicos e dentistas - declaram rendimentos anuais, em média, de 17.680 euros. Advogados - entregam declarações ao fisco de 10.864 euros / ano, em média. Arquitectos - em média, 9.277 euros de rendimento anual sujeito a IRS. Engenheiros - 8.382 euros anuais em média, são as contas que apresentam ao estado português. Estes números indicam que, por cada seis euros que pagam ao fisco, os profissionais liberais, roubam nove euros ao Estado, ou seja, à nossa comunidade. Estes profissionais independentes deveriam contribuir com 15% do total de imposto sobre o trabalho singular e só contribuem com 6%. Ou seja, a sua proporção no rendimento nacional de trabalho singular é muito superior à proporção da sua contribuição nacional para a construção de estradas, pontes, hospitais e equipamentos públicos dos quais usufruem com o mesmo direito. Todos sabemos o que se passa. O Estado sabe. As ordens profissionais sabem. O país sabe. Mas não vejo ninguém particularmente interessado em alterar esta tremenda injustiça tributária que provoca uma taxa excessivamente pesada dos impostos sobre os parcos rendimentos dos trabalhadores por conta de outrem. Isto apesar de o nosso país ostentar os salários médios mais baixos da União Europeia. Por mais produtividade que tenham, os trabalhadores portugueses serão sempre roubados pelo estado português à conta da inépcia da sua máquina fiscal. Desculpem a expressão mas é a que de momento mais se apropria no contexto vergonhoso em que nos encontramos. Teremos demasiados advogados no poder? Certamente que sim. Uma coisa é garantida: não é parco o nº de leis neste país. Cumpri-las é que é mais difícil, nomeadamente por quem as decreta. Discutem-se todos os anos aumentos marginais insignificantes com os patronato e sindicatos e ninguém desenvolve políticas de aumento dos rendimentos líquidos pela via fiscal cobrando os impostos a quem não os paga. É a falta de coragem política em governar, para além dos interesses e dos lobbies, que tem conduzido sistematicamente ao adiamento das grandes reformas exigidas ao desenvolvimento português relacionadas com a Administração pública, os impostos e a máquina fiscal. Já não basta falar do IRC onde a vergonha é maior. Uma das razões pela qual se explica que Bagão Félix não tenha decretado a redução da taxa máxima do IRC, está relacionada, justamente, com o facto de serem raríssimas as empresas que a pagam. Descer o imposto sobre os rendimentos colectivos seria descer o IRC de 3 ou 4 empresas responsáveis pela maioria da cobrança do IRC em Portugal. PT, EDP, CGD, etc. Curiosamente aquelas em que o estado, enquanto accionista, está sentado no conselho de administração. As restantes estão todas em faléncia técnica. Ladrão não rouba ladrão. Pergunto-me, como viverão os engenheiros com 2 salários mínimos por mês. Não deveriam antes ter tirado o curso de marceneiros? Rouba quem pode porque assim lhe deixam. E o cúmulo é que isso está in, prestigia e é moralmente aceitável.
Green, as if for Hope
Mapa de Densidade Populacional no Iraque
Mapa de baixas das tropas dos EUA em Setembro
(Total de mortes: 58. "For example, a minimum of 29 of the fatalities occured within a 50 kilometer radius of a point halfway between Falujah and Baghdad.") «The violence shown on TV seems intense but remember that it would take only a few hundred individuals to carry out these attacks. 9/11 was carried out by 19 individuals with a supporting group of another 40 or so. It takes a team of only 2 or 3 individuals to assemble, deploy and detonate a roadside bomb of the kind that has killed the majority of U.S. personnel. Terrorism does not have to involve a large section of the population in order to create a mediaphillic event. We are looking at a small scale, localized "insurgency" with a very limited operational range. There is no evidence the "insurgency" has wide support within the population either numerically or geographically. Given time, they can be squeezed and destroyed.» See all the green? (Via ChicagoBoyz) Friday, September 24, 2004
No princípio era o verbo,
E o verbo foi colocado numa ilha, Um pedaço de rocha na imensidão do Mar. O verbo foi dado a um homem para proferir, Alberto, de meu nome, Madeira a sua ilha de berço. E ao sétimo dia, Deus surgiu, no meio de duas fragas colossais, E declararou: Alberto, a África do Sul está cheia de ingleses e holandeses e as mansões coloniais pululam que nem coelhos arrebitados na primavera fecundadora. Já não há mais espaço para ti lá. Ficas aqui nesta ilha apaziguada pelos ventos atlânticos. Escasseiam pavões nestas terras. Ficas seguro pois o Apartheid jamais aportará a esta costa. Foi então que os pássaros pregaram a Deus uma lamentação. Tinham o nome de açores. E proclamaram a Deus que não os obrigasse a pousar em tal rocambolesco Carnaval. E Deus proclamou, em voz magnânime que estremeceu os céus: Farei para vós uma ilha com o vosso nome, para que possais dormir imaculados. E foi então que Deus virou as costas em busca de génesis mais importantes que um refugo na linha de montagem da espécie humana. Não sem antes auferir cuidadosamente a distância que cobria a ilha da Madeira à terra de Fernando Pessoa. Deus existe, Salvé ! Dia europeu sem carros
Todos igualmente educativos e todos uma grande miragem. Thursday, September 23, 2004
Moção política de orientação nacional do candidato a Secretário Geral do PS - M. Alegre
Mais Igualdade Melhor democracia Modernizar o socialismo Modernizar a democracia Modernizar o país eu acrescentaria mais um slogan: Modernizar Manuel Alegre
Curtas
(mas importantes)
Perry de Havilland com a pontaria afinada. E o autor do The Road to EU Serfdom também: «So what is it to be Jacques? Care for the poor or votes from the farmers?» Wednesday, September 22, 2004
Perspectivas
O Paulo Gorjão, autor do Bloguítica, vê a coisa assim: «O COPO ESTÁ MEIO-VAZIO OU MEIO-CHEIO? Capa do Público: "Governo opta por colocação manual de docentes". Capa do Diário de Notícias: "Todas as escolas abertas no início de Outubro". Qual é a capa que acham que é a preferida de Morais Sarmento? Não precisam de responder... » Mas também poderia ver assim: QUANDO É QUE O COPO VAI TER ÁGUA OU COMO É QUE VÂO METER LÁ A ÁGUA? Capa do Público: "Governo opta por colocação manual de docentes". Capa do Diário de Notícias: "Todas as escolas abertas no início de Outubro". Qual é a capa que informa pais, alunos e professores sobre quando vão ter o seu problema resolvido? Não precisam de responder...
E a resposta veio rápida.
Aposto que a partir de amanhã já não surgirão, nos diários, notícias inquietantes sobre o fim dos PPA's, PPR/E's, CPH's e afins. No need for more pressure now. The job is done.
Ofensiva contra o terrorismo ameaça direitos constitucionais na Rússia
O deputado do partido nacionalista Pátria, Alexandre Krutov, propõe adendas à lei de imprensa que proíbem à televisão "a difusão de informações sobre actos terroristas como a tomada de reféns e a cobertura da operação antiterrorista de libertação dos reféns até que esta termine". "Qualquer acto terrorista perderá o sentido se não for do conhecimento de muita gente, a psíquica infantil será protegida e os adultos poderão ser informados pela imprensa escrita", justifica Krutov. Se por um lado qualquer democrata desconfiaria ou discordaria, por princípio, de uma qualquer restrição à lei de liberdade da imprensa, qualquer democrata com um senso de moral comum deveria ficar igualmente indignado com o aproveitamento comercial que a imprensa televisiva faz da miséria humana e os benefícios indirectos que produz para quem perpetra esses atentados à dignidade humana. O direito à verdade é inelutável numa sociedade desenvolvida, mas só uma democracia indolente é que pode dar-se ao luxo de permitir estes abusos mediáticos a tocar os reality shows. Entre informar e fazer política vai uma grande distância. A história diz que, na Rússia, quem desafia o poder, sai-se mal.
Se fosse socialista era um homem de coragem
Vital Moreira escreve sobre Tuesday, September 21, 2004
Si la Turquie répond positivement aux critères que l'on a établis, je ne vois pas comment on pourrait dire non. (Le monde)
A pressão Americana para a entrada da Turquia na UE é forte. A Turquia é aliada dos EUA na intervenção no Iraque e ostenta bases militares importantes para a estratégia inglesa e americana na área. São grandes, desta forma, as cartas que a França e a Alemanha possuem em mão como factores negociais com os EUA nesta questão. Jose Manuel Durao Barroso told the French newspaper Le Monde Turkey was not yet ready for membership, but said in an interview the mostly Muslim country of 70 million could not be refused entry if it introduced law changes demanded by Brussels. Um mercado de 70 milhões de habitantes, prestes a aderir à UE não é algo que a Alemanha ou a França possam negligenciar por muito mais tempo. Sendo manifestos os atritos que existiram entre o bloco franco-alemão e a Turquia aquando do início da intervenção americana no Iraque, culminando com a flagrante ingerência de G. Bush em matéria de integração, a Turquia está a obedecer a um processo interno e polémico de adaptação cultural, constitucional e institucional no sentido de ultrapassar os problemas havidos no passado que provocaram o adiamento da sua integração. ?I recognise that Turkish membership poses new challenges, because of its size, rather than the religious question. The latter should not be a problem, if the aspects of democratic order are strictly respected, including the penal code.? (Durão Barroso) Coisas tão simples como um sistema de código penal que proíbe o adultério deverão ser revistas nos próximos tempos. Quem diz que a EU foi construída sobre a civilização cristã ocidental está a negligenciar o potencial económico e político que a adesão da Turquia apresenta para a Europa de hoje. Está a descurar as economias de escala advindas para os grupos económicos europeus, às oportunidades de internacionalização. E nem sequer me referiro às pontes de entendimento inter-cultural entre povos e nações que daí advirão, com muita certeza, e a consequente aproximação do mundo árabe ao mundo ocidental e vice-versa. Tem razão D. Barroso ao dizer que se trata mais de uma questão económica do que religiosa. Já tivemos a Europa liderada pelo papa em Roma e não é à toa que se denominou de Idade das Trevas. Aprendemos com os erros do passado e descobrimos que o laicismo do estado é a forma mais segura de progresso. Só falta demonstrá-lo a certas civilizações islâmicas. A china também se fechou durante décadas à revolução industrial e hoje é o púlpito do capitalismo económico.
Boris reporting for duty
«Boris reporting for duty Hi folks, this is Boris Johnson here. Welcome to my blogsite, where I hope to be blogging for some time to come. You may ask yourself why on earth I am filling the electronic ether with yet more of my stuff, given that I can already be discovered in the pages of the Henley Standard, Daily Telegraph, Spectator etc. It is a damn good question. The answer is that very persuasive man called Tim has recently been to my office in the Commons. He told he that blogging is the future. He spoke of the online community, and its rapid expansion. He said that newspapers were outmoded. He spoke of a new kind of politics. He waved his hands and rolled his eyes. So I have acceded to his advice, and begun to blog. Tim tells me that the idea is that I fall out of bed every morning, blazing with inspiration, and thunder out 3000 words on the issue of the hour, so generating a pandemic internet controversy. I am not sure, frankly, that I will manage that. But I hope that there will be some other bloggers out there who may feel moved to give me some advice - not least on the funding of the Arts, to which I am now devoting my meditations. Must blog off for the time being.» Link Monday, September 20, 2004
O discurso de Bagão
1º É errado pensar que o discurso de Bagão Félix é um discurso populista. Bagão Félix já provou que faz aquilo que promete por mais impopular que pareça. 2º É errado pensar que o discurso de Bagão Félix apela a sector eleitoral de centro-esquerda. A esquerda não tem o monopólio das políticas sociais, das medidas económicas de protecção das famílias, nem do estímulo das classes médias. Quem conota esse género de medidas com a esquerda produz discurso demagógico ou vive a esquerda e a direita dos tempos da revolução industrial. 60% da actividade bancária prende-se com o sector habitacional, neste país. Quem tem capacidade de poupança poupa. Quem não tem não poupa. E a maioria não poupa. Não é o estado que deve ditar às pessoas onde elas devem poupar, se para habitação, se para a reforma, se para a viagem às Caraíbas. Não é através deste género de poupança que se combate a inflação. Muito menos nos PPA?s. Não é isso que vai fornecer a liquidez que tantos gostariam à nossa paupérrima BVL. O estado deve garantir os serviços mínimos. Incentivar a poupança-habitação num país onde a propensão marginal de poupança dos portugueses é tão reduzida (comparativamente a outros países europeus), é limitar a poupança nacional para outros sectores económicos pertinentes e conceder um privilégio grotesco ao lobby imobiliário e financeiro. Já não bastam as avultadíssimas despesas directas inscritas no orçamento de estado? PIDDAC incluído? Já não basta que a parcela dos custos habitacionais, no rendimento dos portugueses, seja absurda em comparação com os vizinhos europeus? Para quê financiar actividades da banca se o maior subsídio possível já existe com a indecente taxa de 5% a 6% de IRC que os bancos pagam em média todos os anos? Bagão Félix fez o discurso que podia para um horizonte temporal de dois anos. Não é tempo de fazer os cortes inevitáveis na despesa pública para o desenvolvimento português, os quais implicariam uma reengenharia agressiva da Administração Pública e manifestações mediáticas promovidas por agentes sindicais avessos à mudança nacional necessária. É tempo de conter despesas, racionalizar medidas, simplificar impostos. Se isso implicar vender bijutarias que se vendam! Melhor colocar na mão dos privados aquilo a que o Estado não dá uso e que foi votado ao abandono por todo o país (terrenos, prédios urbanos participações de capital não estratégicas, concessões monopolísticas, etc). Se isso contribuir para não aumentar impostos ou evitar criar novas formas imaginativas de retirar dinheiro à classe média, para atenuar o défice em conjuntura recessiva, que se faça! Não é este o conservadorismo católico com o qual os críticos socialistas diligentes catalogavam o ex-ministro da Segurança social. Um ministro das finanças que ousa ganhar a animosidade do lobby financeiro a dois anos das eleições não poderá estar a brincar. Friday, September 17, 2004
Bem me parecia que havia alguma ciência nisto
(Rectas a vermelho incluídas por mim, valores médios) À partida para o sexo masculino: 1. Entre os 15 e os 38 anos não há monogamia que não resulte em infidelidade, frustração sexual ou necessidade de resolver o gap de qualquer forma. A líbido masculina encontra-se acima do máximo histórico da líbido feminina. Com 20 anos, são precisas "4 líbidos" femininas para igualar a líbido masculina. 2. Aos 38 anos acontece um festival único. A velha ideia das trintonas "em máximos" parece ter fundamento científico. 3. Quase a chegar aos 50, os homens voltam a fazer match com os níveis da líbido feminina com a mesma idade. Curiosamente fazem também match com a líbido das meninas com 20. O que também explica muita coisa... João M. Correia, take note, mais um instrumento para as tuas actividades, embora haja rumores que eventualmente.... (delete, delete)
"This is a serious drawback for a democracy."
"The government did not provide in a timely manner truthful information on the handling of the crisis," said OSCE representative Miklos Haraszti in a report. The result in Beslan was a "triple credibility gap" between the government and media, between the media and citizens, and between the government and its people, the report said. Eu pergunto: que legitimidade tem o governo russo de opinar o que quer que seja sobre a intervenção americana no Iraque depois do massacre que perpetrou na Chechénia? Aos jornalistas que se queixam da falta de protecção e apoio dada por Israel às coberturas mediáticas, só tinha um conselho a dar: porque não disseram nada durante a guerra na Chechénia? Thursday, September 16, 2004
Impasses
Quer-me parecer que esta discussão vai bater ao mesmo lugar que a discussão sobre os défices. Três pontos: 1. O João não tem razão no alegado apriorismo dos estudos citados em informação assimétrica: «(...) behavioral macroeconomists, incorporating realistic assumptions grounded in psychological and sociological observation, have produced models that comfortably account for each of these macroeconomic phenomena. In the spirit of Keynes' General Theory, behavioral macroeconomists are rebuilding the microfoundations that were sacked by the New Classical economics.(...) It was the first application of a new economic orientation in which models are constructed with careful attention to realistic microeconomic detail. This development has brought economic theory much closer to the fine grain of economic reality.(...) I first came upon the problems resulting from asymmetric information in an early investigation of a leading cause for fluctuations in output and employment - large variations in the sales of new cars.» George A. Akerlof 2. Teria de se perguntar ao autor Thorstein Veblen se a sua ideia resulta da observação do mundo à sua volta ou de apriorismos. Não li o livro, logo não posso concluir, e perguntar ao autor está fora de questão. De qualquer forma, no séc. XIX escrevia-se com os instrumentos disponíveis. E a realidade está aqui para provar que o autor tinha razão nesse ponto específico. As pessoas responsáveis pelo pricing dos produtos Louis Vuitton ou Rolls Royce Motors têm a procura, oferta e elasticidades calculadinhas e prontinhas a apresentar em PPT à administração. Tivesse a experiência deste tipo de empresas contrariado a teoria de T. Veblen e esta já estaria arquivada ao lado de muitos outros disparates que se escreveram nesse século. Acertam ao centavo? Não, mas o seu não cálculo é suicida, e só o seu cálculo lhes permite crescer, ganhar em eficiência e atingir o grau de desenvolvimento que conhecemos. 3. Diz o João: «A fórmula mágica que nos permitiria determinar o preço certo de um carro usado não pode ser determinada. Se eu perguntar ao Manuel "Vai continuar a ler o romance ou pretende quantificar isso?" ele não poderá responder.» Isso é que era bom. João M. , o que não falta neste mundo são metodologias que permitem atingir números palpáveis em cenários de profunda incerteza e assimetria de informação. Os estudos em negociação serão porventura o melhor exemplo, porque não só a informação das partes não é totalmente pública, como podem eventualmente existir incentivos a que ela seja mantida em segredo para atingir acordos mais eficientes para uma das partes. Curiosamente muitos destes instrumentos são bastante neoclássicos, baseados em árvores de decisão e atribuição de probabilidades. A complexidade varia desde uma folha A4 até às largas dezenas de folhas com árvores de decisão para, no finalzinho, sair o número com a maior probabilidade. Número esse que será entregue à administração da empresa, e não um romance a explicar que só Deus sabe. De cabeça lembro-me ainda da Reference Lottery Method, Extended Pearson-Tukey Method, Bracket Medians Technique... Nota Adicional: Num dos comentários no Blasfémias refere-se o exemplo do mercado de capitais como exemplo da pouca fiabilidade das projeções quantitativas. Mas esse é o exemplo de como a improbabilidade de se acertar ao centavo não é uma razão para não se adoptar a metodologia. De forma excessivamente simplificada: Realiza-se research sobre a empresa, o sector, e a economia local e mundial. Identificam-se oportunidades e ameaças. Estuda-se o mercado, antecipa-se procura e resultados financeiros da empresa. Estima-se o valor da acção, lançam-se price targets. Parece que resulta. A indústria financeira existe, tem lucros portentosos, e só a utilização deste tipo de métodos o possibilita. Não acertam ao centavo? Mas no longo prazo os erros são menores que os benefícios retirados, e o fulgor, grau de sofisticação, eficiência e fantásticas possibilidades que este mundo abriu não seriam possíveis de outra forma. Wednesday, September 15, 2004
Desemprego na China - o último mito socialista?
"WE ARE a socialist country" China's prime minister, Wen Jiabao, said to loud applause last weekend at a conference on the re-employment of laid-off workers. "If we don't solve the employment problem, the lives of the masses will not improve." (...) It was only ten years ago that Chinese officials plucked up the courage to start using the word "unemployment" a phenomenon previously regarded by the Communist Party as the preserve of exploitative capitalist countries. (...) Regional variations are considerable. By the government's very conservative calculations, Beijing's unemployment rate was 1.4% last year, compared with more than 6% in some cities of the north-east which have heavy concentrations of state-owned industries. The gap between the official estimate and reality is particularly evident in such areas, which have been plagued in recent years by frequent, albeit orderly, and mostly small, demonstrations by laid-off workers and retired employees. The unemployment rates in places like mining towns, dependent on just a few industries, are probably as high as 40%. All this is unsettling to a government which still likes to call itself socialist (though many Chinese joke that America has a better claim to the description), which is struggling to buttress its legitimacy in the eyes of a cynical public, and which has an ingrained aversion to unrest. What Dorothy Solinger of the University of California at Irvine calls the government's "very efficient system of repression" helps keep high unemployment from triggering serious unrest. But in some areas at least, unemployment estimates may imply that the problem is more serious than it really is. (the Economist) Mesmo para um país denominado socialista, a reconversão de uma economia agrícola para uma sociedade industrial e terciária cai impreterivelmente nas dificuldades regionais e humanas que a história ocidental bem conhece. O socialismo, essa idearia panfletária, permanece na gaveta.
Sobre esta pergunta do João Miranda
(Actualizado) Existe já alguma informação e discussão relevante no sistema de comentários do Blasfémias, que não desejo repetir, e à qual acrescento: 1. A existência dos bens Giffen não tem demonstração empírica, pelo menos à data de edição dos meus livros de Microeconomia, pelo que é uma hipótese controversa e sempre mencionada com essa nota de precaução. Desconheço os desenvolvimentos desde então. Mas o caso dos bens Giffen é um entre 3 grandes categorias. 2. Bens de Luxo. Quem tiver interesse pode ler detalhadamente em The Theory of the Leisure Class, por Thornstein Veblen (Macmillian, New York, 1899). Resumidamente, se o bem não é estupidamente caro, as pessoas que gostam de ostentar valor perdem o interesse pelo bem, independentemente da sua qualidade. 3. Bens cuja qualidade é mais ou menos desconhecida. Neste caso o preço funciona como indicador de qualidade do bem, e as pessoas atribuem ao preço elevado qualidade. Genericamente estas são as 3 excepções à lei da oferta e procura, que trabalha no modelo "se tudo o resto for mantido constante" que o João M. citou. Trabalhando sobre a excepção 3, conseguimos encontrar várias sub-excepções, e encontramos situações em que, por exemplo, a oferta é menor a um maior preço ou maior a um preço menor. Estas situações derivam de informação imperfeita, e estão cuidadosamente detalhadas no trabalho de Joseph E. Stiglitz e Andrew Weiss "Credit Rationing in Markets with Imperfect Information" na American Economic review, June 1981, páginas 393-441. O João M., no sistema de comentários, questiona especificamente sobre bens de consumo, como o pão. Tudo bem, a lógica é a mesma. Existem trabalhos que incidem sobre carros usados ou seguros de saúde. G. Akerlof: "The Market of Lemons: Qualitative Uncertainty and the Market Mechanism", no Quarterly Journal of Economics, Agosto, 1970, páginas 448-500. G. Akerlof e J. Stiglitz foram, com A. Michael Spence, galardoados com o "Nobel da Economia" " pelo seu trabalho desenvolvido na análise de mercado com informação assimétrica. Tuesday, September 14, 2004
Actualização
Do Why There Is No Such Thing As An Austrian School Of Economics « I call this the "Hayek said the sky is blue tactic". If you say the sky is blue, that makes you an Austrian because Hayek defended the sky-is-blue thesis back in the 30's. Hayek talked a bit about mistaken beliefs; therefore anyone who ventures within a thousand intellectual miles of this topic is a "Hayekian." This is ridiculous. By this standard not only does Hayek get credit for ideas that he did not anticipate; he gets credit for ideas that preceded his birth! Hayek made some contributions here - though frankly he was very repetitious. But he did little to advance modern rational expectations theorizing, and even less to anticipate its empirical weaknesses. (...) Stepping back to my title, why shouldn't you be an Austrian economist? The fundamental reason is that their main original claims are incorrect.» Brain Caplan em Why I Am Not An Austrian Economist ... And Why You Shouldn?t Be Either (Não confundir com este) Um texto curto e interessante, cujo início é pedagógico no sentido de relembrar os mais distraídos que uma coisa é pertencer à Causa Liberal e outra é pertencer à "Causa Austríaca". Monday, September 13, 2004
Vai continuar a ler o romance ou pretende quantificar isso?
Não tenho, infelizmente, o tempo necessário para escrever tudo o que gostaria sobre o tema. Resumidamente: . A relação de Mises & Cª com os métodos quantitativos (rejeição) é um dos maiores erros dos auto entitulados austríacos. Para além de profundamente errado em pleno séc XXI, este factor contribuiu como poucos para o isolamento e definhamento do pensamento económico da "escola". . Os "austríacos" citam e recitam Mises. O CN cita-o em 1949 (!), sendo que já então a sua posição era radical e rejeitada pela esmagadora maioria de economistas. Agora some-lhe mais de 50 anos de evolução dos instrumentos matemáticos, e o argumentário de Mises passa para o arquivo não-utilizado. . Ninguém toma decisões baseadas em romances. É preciso saber-se que, exemplificando, quando se mexe o preço de 2 para 3, o efeito A mexe-se para 5 e o B para 9. Se querem enfurecer e/ou corar um "austríaco", é pedir-lhe para quantificar o que está a dizer. . Por aqui ninguém é adorador incondicional de Friedman (perguntar ao Intermitente). Mas a verdade é que este e Schwartz, em A Monetary History of the United States, apresentam uma brilhante e aplaudida mistura entre análise histórica e econometria. E é uma demonstração cabal do que se consegue atingir quando se tem capacidade de manuseamento conjunto dos melhores instrumentos disponíveis na ciência económica. . Argumentam a diferença entre máquinas e seres humanos. Ora os "austríacos" poderiam embarcar em peregrinação até à Psicologia, e explicar com cuidado a esta comunidade porque é que estão profundamente errados quando o Livro/Manual mais utilizado pelos psicólogos se chama: DSM-IV Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders - Fourth Edition (DSM-IV), published by the American Psychiatric Association, Washington D.C., 1994, the main diagnostic reference of Mental Health professionals in the United States of America Poderiam com eles aprender como os instrumentos matemáticos são fundamentais no aprofundamento, desenvolvimento e exercício diário da sua ciência. Poderiam também os "austríacos" realizar um exercício de introspecção. Poderiam eventualmente questionar-se porque razão continuam praticamente a não ser ensinados nas Universidades. E porque aparecem como notas, anexos, ou sub-capítulos nos livros de História do Pensamento Económico. Porque razão praticamente não publicam artigos nas revistas não detidas pelos próprios. Porque razão citam quase exclusivamente economistas que já R.I.P. , e citam-nos ao pequeno almoço, almoço e jantar, num culto de personalidade tão típico daquele-tipo-de-organizações-vocês-sabem-quais. Porque razão o seu pensamento não se desenvolve, não há praticamente inovação nem "descobertas" ou teorias dignas de registo desde há mais de 50 anos. Porque é que numa sociedade aberta, com livre acesso à informação, a "escola" não se desenvolveu, não explodiu? Não será provavelmente porque não têm razão? Não será que muitos dos pressupostos estão errados? Não será que a metodologia seguida torna-a incapaz de corrigir erros e prosseguir para o caminho certo? Claro que podem sempre argumentar que: «A verdade não precisa de muitos amigos e mesmo quando vencida não deixa de ter razão» Não deixaria de ser uma pena que inteligência, talento e capacidade de intervenção se perdessem numa inglória tentativa de projectar aquilo que a história já se encarregou de colocar no devido sítio. (Para o CN e AAA) Saturday, September 11, 2004
Friday, September 10, 2004
Dimensão humana
Peço imensa desculpa, mas sou completamente incapaz de desejar feliz aniverário ao PCP ou produtos derivados. Já aos vários amigos que militam ou militaram, desejo-lhes feliz aniversário do fundo do coração. Se, por exemplo, o PCP e derivados implodissem hoje, seria um momento de alegria ver desaparecer ideologias que espalharam e espalham o horror e a miséria pelo mundo. Já o desaparecimento de Álvaro Cunhal seria um momento trágico, pois não é só a sua visão trágica do mundo que desapareceria, e mesmo desaparecendo, não o seria pelas melhores razões.
E nem sei porque é que me lembrei de fazer esta distinção hoje. Thursday, September 09, 2004
E esta, hein?
David Ricardo Ricardo, the «Portuguese Jew turned Quaker» (Economic Thought Before Adam Smith, Murray N. Rothbard, pp. xxii, 444) The Dutch and Portuguese-Jewish background of David Ricardo.
No more Barbies
Carrega-se num botão e a boneca diz: "Why not go to war just for oil? We need oil. What do Hollywood celebrities imagine fuels their private jets? How do they think their cocaine is delivered to them?" "Swing voters are more appropriately known as the 'idiot voters' because they have no set of philosophical principles. By the age of fourteen, you're either a Conservative or a Liberal if you have an IQ above a toaster." "Liberals hate America, they hate flag-wavers, they hate abortion opponents, they hate all religions except Islam, post 9/11. Even Islamic terrorists don't hate America like Liberals do. They don't have the energy. If they had that much energy, they'd have indoor plumbing by now." "Liberals can't just come out and say they want to take more of our money, kill babies, and discriminate on the basis of race." "At least when right-wingers rant, there's a point." E não se esqueçam de comprar baterias extra:
(Link)
É o imobilismo, é o imobilismo...
Top 10 Reformers in 2003 (World Bank, Doing Business) 1. Eslováquia 2. Colombia 3. Bélgica 4. Finlândia 5. Índia 6. Lituânia 7. Noruega 8. Polónia 9. Portugal 10. Espanha O resultado advém de reformas introduzidas nas seguintes 3 áreas: 1. Hiring & Firing 2. Enforcing Contracts 3. Getting Credit O ranking inlcui 2 áreas adicionais onde o resultado de Portugal não é considerado relevante: 4. Starting a Business 5. Closing a Business É bom mas não é suficiente, não se percebe sobretudo a morosidade do ponto 4, que varia segundo os sectores com mais ou menos legislação e requisitos para licenciamento. Como nunca por aqui nos cansamos de escrever, o ritmo de reformas não é para manter, é para aumentar. Existe margem gigantesca para reformar, áreas estruturalmente atrasadas sem que seja necessário um génio inovador para as modernizar. Basta querer. Wednesday, September 08, 2004
Re: Apriorismos
Mas o argumento das "verdades auto-evidentes" ou "permissas sólidas" é, no mínimo, verdadeiramente complicado. Tempos houve em que dizer-se que a Terra era plana seria uma "verdade auto-evidente" ou uma "permissa sólida". A verdade é que independentemente de a origem da Public Choice Theory advir de uma idea que surgiu a James Buchanan e Gordon Tullock quando lhes cairam maçãs em cima ou da observação científica do mundo, a discordância de fundo é o passo seguinte: Provar que a teoria é verdadeira. Existe infinita produção, observação e experimentação na PCT e baseada nela. Mesmo nos seus primeiros passos encontramos toneladas de modelos matemáticos, de equilíbrio, agregados, matrizes, gráficos, etc. (ex: The Calculus of Consent) E isto já no momento da sua fundação. Sendo que em qualquer fase ela é sempre sujeita ao princípio da crítica por contraposição à realidade. Quem adopta o "apriorismo" vai continuar estrada fora a pregar ao mundo, independentemente da experimentação. As críticas a este modelo de "apriorismo" são praticamente unânimes na ciência económica (e não só). No ainda pouco tempo disponível para o Why There Is No Such Thing As An Austrian School Of Economics tive o cuidado de recolher contributos de tendências distintas, como por exemplo estes dois: 1. Paul Samuelson de forma bastante dura: "I tremble for the reputation of my subject" after reading the "exaggerated claims that used to be made in economics for the power of deduction and a priori reasoning [the Austrian methods]." 2. Milton Friedman cordialmente: «That methodological approach, I think, has very negative influences. It makes it very hard to build up a cumulative discipline of any kind. If you're always going back to your internal, self-evident truths, how do people stand on one another's shoulders? ... It also tends to make people intolerant. If you and I are both praxeologists, and we disagree about whether some proposition or statement is correct, how do we resolve that disagreement? We can yell, we can argue, we can try to find a logical flaw in one another's thing, but in the end we have no way to resolve it except by fighting, by saying you're wrong and I'm right. On the other hand, if you take more like a Karl Popperian approach .... I say to you, what facts can I find that will convince you I was right and you were wrong. ... Then we go out and observe the facts . That's how science progresses. ...the fact is that fifty, sixty years after von Mises issued his capital theory ... so-called Austrian economists still stick by it. There hasn't been an iota of progress.» Na PCT Buchanan, Tullock e Downs « forced their colleagues to reexamine the most fundamental assumptions regarding the nature of government and the public policies that emerge from any political process.» (Bob McTeer, President, Federal Reserve Bank of Dallas) Existiu discussão, convencimento e evolução. E as "fundamental assumptions" de alguns foram abandonadas por A + B. Como tão bem ensinou Frank Knight a James Buchanan, recordado por este último: «The message that there exists no god whose pronouncements deserve elevation to the sacrosanct, whether god within or without the scientific academy. Everything, everyone, anywhere, anytime?all is open to challenge and criticism." Monday, September 06, 2004
João Miranda,
Acusas-me de utilizar frequentemente "argumentos de autoridade". Mas dado não especificares onde nem quando, suponho que a acusação é, até ver, baseada apenas num argumento de autoridade do qual profundamente discordo. Se eu desejasse utilizar argumentos de autoridade sobre a temática corrente em que discordamos, realizaria, por exemplo, apenas a seguinte citação: «There is no Austrian economics» Milton Friedman Mas parece que até criei um Blogue-apontador com um conjunto de textos e indicações para sustentar uma evidência reconhecida pela quase totalidade dos economistas. Rapidamente, e com as limitações de tempo que disponho, respondo às questões concreta que colocas: 1. Seita: "[Sociologist Ernst] Troeltsch distinguished between church, sect, and mysticism as primary types of religious life. The church is more peremptorily inclusive and achieves greater accommodation to worldly institutions. The sect demands voluntary commitment from its members, is more perfectionistic in its aims, and often adopts a critical stance toward existing social arrangements..." -- Donald A. Nielsen Citado no artigo The Sect of Austrian Economics onde, não obstante a crítica, se encontram alguns elogios. 2. Fé: A "Escola" Austríaca baseia-se numa metodologia designada "apriorismo" (inglês, apriorism): Adj. 1. a priori - involving deductive reasoning from a general principle to a necessary effect; not supported by fact; "an a priori judgment" . . analytical, analytic - of a proposition that is necessarily true independent of fact or experience; "`all spinsters are unmarried' is an analytic proposition" 2. a priori - based on hypothesis or theory rather than experiment . theoretic, theoretical - concerned primarily with theories or hypotheses rather than practical considerations; "theoretical science" Adv. 1. a priori - derived by logic, without observed facts Verdadeiramente um festim. Com esta lógica os "Austríacos" teorizam sobre o que lhes apetecer e lançam as suas verdades absolutas sem o incómodo da realidade, experimentação, verificação ou estatísticas que confirmem a tese. Curiosamente é esta a lógica utilizada pelas religiões. E assim não conseguimos perceber se afinal existe Alá ou o Deus Cristão. Brilhante. 2+2=4 , mas eu tenho um quintal onde posso verificar esta realidade, André. 3. A "ameaça" De modo algum. A "Escola" Austríaca, na sua visão de mudar o "paradigma" económico, falhou redondamente. Se espreitares os links que coloco no Blogue, irás encontrar, por exemplo, este facto: «Here are a few of the best new ideas to come out of academic economics since 1949: Human Capital Theory Rational Expectations Macroeconomics The Random Walk View of Financial Markets Signaling Models Public Choice Theory Natural Rate Models of Unemployment Time Consistency The Prisioner's Dilemma, Coordination Games, and Hawk-Dove Games The Ricardian Equivalence Argument for Debt-Neutrality Contestable Markets» Enquanto a ciência económica tem evoluído, os puristas da "Escola" Austríaca têm conseguido concretamente o que? Duas nota finais: 1. Não pretendo de modo algum hostilizar nem o João, nem o André. Imagino que a palavra "Seita" tenha uma conotação algo agressiva e que não será certamente a melhor para construir pontes de entendimento, não obstante existir algum paralelismo. 2. Dentro da "Escola" Austríaca, existem alguns contributos interessantes para a ciência económica, sem que com eles pretendam escrever de raiz uma nova Ciência. São, infelizmente, poucos. O meu ponto, e o do Blogue que criei, é que independentemente da ambição da "Escola" Austríaca, o seu objectivo falhou. Muitos economistas acreditam que, com o tempo, a "Escola" irá integrar-se na tendência neoclássica da ciência económica. Veremos. A fazê-lo, terá certamente pouco ou nada de Mises, um pouco mais de Hayek, e certamente muito poucos passaportes austríacos. Friday, September 03, 2004
Se isto não é um lobby, o que é um lobby?
Os dois jornalistas franceses sequestrados no Iraque, Georges Malbrunot e Christian Chesnot, encontram-se vivos e de boa saúde, disse esta quinta-feira a Associação dos Clérigos Muçulmanos em França (diário digital) Thursday, September 02, 2004
Why There Is No Such Thing As "Islamo-Austríacos"
Existem diferenças entre Islão e a auto-designada "escola Austríaca". O Islão é uma religião, a "escola Austríaca" é uma seita. Também existem semelhanças: Ambas se baseiam na fé. Ambas têm sérias dificuldades em evoluir. Seja como for, o termo Islamo-Austríacos é, no mínimo, abusivo. O regresso ao padrão ouro, seja puro e duro ou com Currency Boards à mistura, é uma discussão completamente transversal dentro da ciência económica e dos candidatos a fazer parte dela. O padrão ouro não foi inventado pelos "austríacos", a não ser que tenham enviado agentes para viajar séculos atrás e montar o sistema. É, apenas e só, defendido por alguns, como é defendido por economistas do lado da Supply-Side Economics como Robert Mundell. Aliás, o trabalho de R. Mundell é mais importante sobre esta matéria do que toda a produção da "seita" Austríaca junta. Ainda assim seria certamente abusivo escrever Islamo-Supply Side Economists. Sobre a questão da adopçao do padrão ouro, julgo ser uma discussão menor face à mais importante: Taxas de câmbio fixas ou variáveis, ou até uma terceira via: Pegged, como o recente caso Argetino, sendo gerida por um Currency Board. Sobre toda esta problemática, recomendo a leitura deste PDF: One World, One Money Robert Mundell and Milton Friedman debate the virtues - or not - of fixed exchange rates, gold and a world currency. 1. The Exchange Rates - Fixed or Flexible 2. The C-dollar: Fix or Float 3. The Euro Revolution 4. Has Fixing Hurt the Irish Economy? 5. Why Bretton Woods failed? 6. The Gold Standard 7. A World Currency?
Sequestro
Como é possível que em pleno Século XXI uns quantos terroristas exijam, através de chantagem, a uma república democrática ocidental como a França, , que revogue uma lei constitucionalmente aprovada por representantes de toda uma nação e ainda tenham pleno direito a passadeira vermelha diplomática? Como é possível que existam árabes a impor aos franceses como devem fazer as leis da sua sociedade democrática, quando viveram a vida inteira num país déspota e totalitário? Isto permite-se? Até onde vai a mão leve da contingence française? Onde estás tu Richelieu? A França ainda vive sobre os cacos dos teus pilares. Seriam precisos dois cardeais para chamar aquilo de Estado Nação!
O Presidente Chirac admitiu que existe um problema de anti-semitismo especificamente francês e que deve ser combatido.
Já lhe ocorreu a ideia que existe um problema de anti-republicanismo especificamente islâmico que deve ser combatido no Iraque? Há quem defenda que Roma caiu por dentro, precisamente por ser demasiado liberal e permissiva à cultura e religião dos povos bárbaros. As nossas democracias têm destas coisas. A proliferação de mesquitas pelas cidades francesas está aí para o comprovar. A religião é uma arma. E nós falhamos em compreende-lo por habituação precoce ao estado laico. No meio de Paris é tão congénito, hoje em dia, ouvir o Al Corão ser lido na língua original em pleno metropolitano como comer crepes junto ao Centro Pompidou. Aí sim, reside o verdadeiro problema no qual muitos teimam em não tocar. Wednesday, September 01, 2004
The Grand Old Party
A FoxNews disponibiliza gratuitamente os videos das intervenções na Republican National Convension, com destaque para as intervenções aguardadas com expectativa de John MacCain, Arnold Schwarzenegger e Rudy Giuliani. (Link) Encontra-se também um video com as duas filhas de George Bush (não sejam perversos), Jenna e Barbara, a discursar simultaneamente.
Blog Tour
«War is an ugly thing but not the ugliest of things; the decayed and degraded state of moral and patriotic feelings which thinks that nothing is worth war is much worse. A man who has nothing for which he is willing to fight, nothing which is more important than his own personal safety, is a miserable creature and has no chance of being free unless made and kept so by the exertions of better men than himself.» John Stuart Mill (Citado no Samizdata) Porque a rua não é só da Esquerda, a ProtestWarrior , CommunistsforKerry e Medienkritik foram para a rua em Nova Iorque: Os "bloquistas" também lá estavam: O cartaz à direita diz: «"Founded, grown and sustained by mass extermination the USA and peace are a fundamental contradiction. This criminal terrorist government will never be reformed by voting. It must be abolished through REVOLUTION!" E não acharam especial piada à ProtestWarrior & Cª: O desagrado era tal que recorreram à violência, tendo sido necessária a intervenção da polícia. Os cartazes Bloquistas finalmente foram de encontro ao local onde já se encontrava a sua ideologia:
Felizmente temos, no Partido Socialista, pessoas como o Dr. Jorge Sampaio, que distinguem pescadores de peixeiras a cantar hipérboles.
Não fosse o caso, poderíamos ter Ana Gomes a chefiar o Ministério dos Negócios Estrangeiros. A simples ideia horripila o mais incauto cidadão. Será que todos os partidos de esquerda precisam de uma Odete Ferreira? Salve-se Sampaio! |
|